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domingo, 29 de maio de 2022

DIÁRIO DE UM QUADRINISTA EM APUROS - UMA JORNADA ATÉ AQUI

 

Uma jornada até aqui.

Eu sempre desenhei. Desde que tenho memórias mais nítidas da minha vida o hábito de desenhar sempre esteve lá. Mas era mais que uma brincadeira, ou hobby, era uma necessidade. Eu sempre senti que desenhar era o melhor de mim, onde falava melhor, onde me entendia melhor. Onde eu era melhor. E por isso desenhava, e desenhava e desenhava. Até que chegou a mim as histórias em quadrinhos e o meu mundo ampliou. Na verdade os mundos. O multiverso. Histórias, personagens, sentimentos… tudo isso eu podia falar usando desenhos. Isso mudou minha vida.
 
Então desenhei ainda mais… Mas eu não achava meu desenho bom.
Eu tentava, no entanto, não conseguia chegar ao patamar de outros artistas. Não alcançava a estabilidade da linha, ou qualidade e profundidade da cor, ou a originalidade do traço que via nos outros desenhistas e quadrinistas. Claro que esse “patamar” só existia na minha cabeça, porém foi essa “ideia equivocada” (tanto quanto a ideia do dom) que me impulsionou na direção certa.
 
Frustrado por não conseguir fazer o que os outros artistas faziam e decidi ir numa direção totalmente contrária. Se não conseguia fazer um traço firme, então faria um traço errático, rabiscado. Se minhas cores não erram realísticas, então eu abraçaria a surrealidade do colorido. E assim fui subvertendo as regras e chegando num estilo que me representasse. E mais que tudo que me agradasse.
 
Um desenho que não só saciasse as minhas ânsias artísticas, mas que também me deixasse feliz e orgulhoso. Foi um caminho longo e difícil. Construindo, experimentando e lapidando passo a passo. Mudando e aprendendo coisas novas e aplicando nos meus trabalhos. Até que enfim veio a sensação: “É isso!” Foi como encontrar o meu lar. Foi um aconchego sem igual. E a minha voz ficou mais nítida e minhas histórias, sentimentos e pensamentos ficaram mais fortes.
 
Minha jornada como artista, ou mesmo como pessoa, ainda não acabou e sinto que ela ainda vai me levar a muitos outros lugares e universos. Mas por agora me sinto bem onde estou. E continuarei a desenhar. Sempre.